Artista: Caetano Veloso/Nome: "Transa"/Gravação: Londres, 1972 / Lançamento: Londres, 1972/Gravadora: Polygram
Sempre quis escrever sobre Transa. Então, por isso mesmo, vai ser a primeira resenha, com enfoque para as faixas "It's a Long Way" e "Triste Bahia".
Apenas pensar em Transa e nas imagens que o album e seu conceito subjetivo me trazem me emociona. É, sem dúvida, o grande representante da tropicália. "Difusão cultural" (o album ter sido produzido em Londres já contribui inevitavelmente para isto), "subversão" e "calor", principalmente "calor", são termos que, para mim, traduzem perfeitamente o significado de tropicália, onde não há absolutamente nenhuma preocupação ou amoldamento à padrões na mente criativa do artista. A sensação é de um puro vômito artístico: faz-se uma base simples e daí em diante o momentâneo toma conta, construindo uma profusão sonora na mente do ouvinte. É delicioso. E único. Onde mais você vai ouvir "lord know we ain't that strong" e "ozói da cobra verdi, hoji foi quia réparei" na mesma letra?
Transa fez, como nenhum outro trabalho musical brasileiro antes fez, com que olhos do mundo todo se voltassem para o cenário artístico do Brasil; olhos esses que, de maneira inédita, não são depreciadores. Olhos de gente curiosa, de gente seduzida. E se há uma coisa que preenche tal obra, é uma espécie de sedução. Esse vermelho da capa é uma prova disso; o título, outra. Mas há um grande engajamento acompanhando esse jogo de persuasão caetanístico. Faixas como Triste Bahia, brilhante releitura do poema de Gregório de Matos, ou It's a Long Way, carregam, para mim, uma grande denúncia política.
Apenas pensar em Transa e nas imagens que o album e seu conceito subjetivo me trazem me emociona. É, sem dúvida, o grande representante da tropicália. "Difusão cultural" (o album ter sido produzido em Londres já contribui inevitavelmente para isto), "subversão" e "calor", principalmente "calor", são termos que, para mim, traduzem perfeitamente o significado de tropicália, onde não há absolutamente nenhuma preocupação ou amoldamento à padrões na mente criativa do artista. A sensação é de um puro vômito artístico: faz-se uma base simples e daí em diante o momentâneo toma conta, construindo uma profusão sonora na mente do ouvinte. É delicioso. E único. Onde mais você vai ouvir "lord know we ain't that strong" e "ozói da cobra verdi, hoji foi quia réparei" na mesma letra?
Transa fez, como nenhum outro trabalho musical brasileiro antes fez, com que olhos do mundo todo se voltassem para o cenário artístico do Brasil; olhos esses que, de maneira inédita, não são depreciadores. Olhos de gente curiosa, de gente seduzida. E se há uma coisa que preenche tal obra, é uma espécie de sedução. Esse vermelho da capa é uma prova disso; o título, outra. Mas há um grande engajamento acompanhando esse jogo de persuasão caetanístico. Faixas como Triste Bahia, brilhante releitura do poema de Gregório de Matos, ou It's a Long Way, carregam, para mim, uma grande denúncia política.
Eu diria que esta faixa, "It's a Long Way", tem muitos pontos de com o expressionismo abstrato, que tem como Pollock seu mais expoente artista. Pois não é exatamente um improviso; é resultado de uma mente criativa jorrando sentimento. E ainda assim, Caetano não é nem um pouco desconexo nos seus versos, pelo menos não simbolicamente. Ouvindo-se um a um, nasce na mente um forte sentimento de perseverança e luta. Luta social. Pessoalmente, enxergo trabalhadores rurais do interior brasileiro e norte-americanos, negros, fortes, sem possibilidade nenhuma de deslocamento social, puxando a enxada ensopada de suor, e pensando: "it's a long, long, long, long way". Mas isto não é nem uma interpretação propriamente dita, é apenas uma das imagens que a faixa me traz, cujo considero interessantíssima e extremamente profunda. Porém, mesmo com imagens tão distantes de minha realidade (e, sim, da realidade da maioria dos que ouviram o album, infelizmente), tais sentimentos invadem meu corpo por completo, e me vejo na mesma situação daqueles antes descritos: claro, há o inglês! Eis a conexão. Haveria algo mais distante do desolado interior brasileiro e próximo dessa cultura americanizada da elite paulistana do que a língua estrangeira? Estabelece-se um vínculo sentimental e ideológica entre classes, e assim, a luta tem terreno para se desenvolver.
Considero, por essas e outras, "Transa", ainda com a minha prepotencia, um dos maiores albums da história popular brasileira. Viva Caetano, viva a irreverência, viva a tropicália!
"Pobre te vejo a ti, tu a mi abundante."
Esta aqui é experimentalismo puro. A linda voz de Caetano adorna cada palavra de Gregório com um colorido tão unicamente brasileiro, acompanhada por berimbaus, agogôs, reco-recos, chocalhos e muito mais. Aí vem uma breve melodia progressiva que abusa de dissonância, ajudando a criar o ambiente sonoro de pura dessemelhança baiana. Depois disso, o cantor volta com seus versos vomitados, com muito neologismo, repetição e aliteração. É uma profusão de imagens tal que fica difícil acompanhar.
Mas é muito bom para não tentar.
Bom, o enfoque era pra ser esse. As outras faixas do album, se não se equivalem conceitualmente, o conseguem na inovação. Destaque para "Nine Out of Ten". Porque? Porque, meu amigo, isso é reggae! Ouso dizer que foi a primeira música reggaeada brasileira (nessas afirmações absurdas e prepotentes que eu acabo perdendo credibilidade dos leitores). Mas vejam: "Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Marley e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70...". Eu não tenho nada a ver com isso! Quem o disse foi o próprio Veloso!
Bom, o enfoque era pra ser esse. As outras faixas do album, se não se equivalem conceitualmente, o conseguem na inovação. Destaque para "Nine Out of Ten". Porque? Porque, meu amigo, isso é reggae! Ouso dizer que foi a primeira música reggaeada brasileira (nessas afirmações absurdas e prepotentes que eu acabo perdendo credibilidade dos leitores). Mas vejam: "Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Marley e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70...". Eu não tenho nada a ver com isso! Quem o disse foi o próprio Veloso!
Considero, por essas e outras, "Transa", ainda com a minha prepotencia, um dos maiores albums da história popular brasileira. Viva Caetano, viva a irreverência, viva a tropicália!

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